sábado, 17 de março de 2012

Californication...é isso mesmo?

Cheguei com 4 nos de atraso.Sabe,eu tinha vontade de assistir mas nunca que dava certo...até agora eu ainda não tenho uma opinião formada sobre a série então,fui buscar ajuda: um texto de Marcelo Shaw para o Rock+Press.

" Quando era pequeno eu adorava assistir Arquivo X, aquela música tema no teclado de motel era deveras estimulante. Eu ficava com medo de andar em corredores escuros, mas, porra, tenho isso até hoje. Acho que isso é uma tônica da minha vida, eu tenho essa tendência de procurar coisas sobrenaturais pra depois ficar me cagando de medo. Deus, até hoje tenho medo de jogar Zelda: Majora’s Mask e surgir aquela estátua me encarando quando eu tiver mijando. Monstros, fantasmas e demônios não respeitam nada, talvez esse seja o problema. Se meu corpo for possuído quero aviso prévio, se eu ver meu avô morto no quarto quero que ele solte a letra previamente, se o cachorro sorrindo aparecer no meu sonho espero que ele passe a bola e não fique me apavorando. Qual o problema de vocês, criaturas de outro mundo? Vocês não tem uma porra de outro mundo pra viver? Vocês não cansaram de levar surras incontáveis minhas no Mortal Kombat II? O estoicismo do David Duchovny, encarando alienígenas e seu péssimo senso de humor, meio que fazia toda a série valer a pena.

Eu me lembro de ver aquela propaganda do Californication com a moça jogando um papel como bauruzinho pro Duchovny de um carro pro outro. Havia alguma canalhice ali que não me convencia, parecia um high 5 de distância de um BROS BEFORE HOES. Na época eu assistia Lost... Tá bom, mentira. O enlatado americano faz parte da cultura brasileira tanto quanto o famoso “jeitinho”, Caetano Veloso, cabeludo com camiseta do Iron Maiden, viadinho de calça justa, roubalheira e protestos chatos contra roubalheira que me fazem desejar que roubassem mais. Nós somos a nação do Alexandre Frota, mas aí divaguei.

Ao finalmente dar uma chance pra série foi uma revelação. Não era sobre cafajestagem, era sobre relacionamentos errados. Não era tentativa de ser engraçado, era realmente engraçado e cheio de alma. Não era sobre o David Duchovny comendo todo mundo, era sobre ele merecendo comer todo mundo e ainda mais. Há pouco espaço pra interpretação na nossa cultura. O James Brown foi preso por bater na mulher e justificar a condenação com o fato dele ser negro carrega consigo uma carga humorística tremenda. Claro, não se você for a mulher da história, mas isso não é forma de encarar nada, afinal, milhares de pessoas morrem mal na África a cada segundo e isso não impede ninguém de rir do Rafinha Bastos, mas devia. Não pela África, mas porque o Rafinha Bastos merece ser esfaqueado. Defeitos existem aos montes por aí, quando isolados emocionalmente conseguem ser engraçados ou até admiráveis.

E admirável certamente qualifica o personagem de Duchovny, Hank Moody. Não é o melhor personagem, não tem profundidade necessária em muitas das suas crises e sua persona de trovador incompreendido fudendo tudo ao seu redor já foi explorada de todos os ângulos possíveis. Mas foda-se. O que você vai fazer? Assistir o Alexandre Frota fazendo uma adaptação de Batman onde o personagem dele se chama Gayson? Assistir o Steven Seagal em sua nova série, True Justice, espancando diversos meliantes sem perder um centímetro de cintura? Você pode fazer isso e francamente deve. Mas dando uma chance pro Hank Moody acaba por se relevar um personagem crível, tridimensional, demasiadamente humano, daqueles que veriam Nietzsche numa prateleira e ririam porque, porra, ESSE HOMO. O elenco de apoio faz justamente isso, apoia, com suas imperfeições e exageros diversos. O segredo da série reside justamente nessas interações, na alma que se faz presente. A relação dele com a mulher é num geral errada, mas ainda uma que dá pra relacionar. Sua amizade com o agente é prejudicial pra ambos, mas de uma forma invejável, ficando claro que prejudicial a saúde mesmo é ficar entediado. Não tem filosofia de vida, não é algo a ser seguido, não é nada. É uma história, uma belíssima história nisso.

Arquivo X e meu medo do escuro exemplifica o que nos fascina tanto nas histórias dos outros: não há nada mais belo do que assistir de fora. Se um carro bater de frente num poste aqui da rua, minha primeira atitude seria tirar uma foto e não ligar pra polícia. Eu sou aquele idiota na multidão que sempre fica olhando o cara que vai se jogar do prédio. Sou um ser humano contemplativo na minha natureza, eu gosto de ficção mesmo quando é real. A fauna de vícios e idiotices humana nunca falha, é o fator comum em todos os milhões de anos de evolução. Aceitei-me como fã de enlatado americano e não há nenhum melhor do que Californication. Não é perfeito, ninguém é perfeito e nem precisa ser. Seus roteiros espetaculares criam vida numa das melhores obras contemporâneas em qualquer mídia."

Fiz um clipe com as primeiras cenas do primeiro capítulo da primeira Temporada.Mais herege,impossível !!!





sexta-feira, 16 de março de 2012

Autor: Eli Vieira

Há poucas horas assisti ao vídeo de denúncia ao Joseph Kony, suposto sequestrador de crianças que faz um exército delas em Uganda para perseguir metas políticas ou pessoais. O problema do vídeo é que ele não explica que metas são essas, até Hitler, que sim, apareceu no vídeo, fez o que fez com alguma motivação que ultrapassa as habilidades de Gavin, estrela do documentário de meia hora e o filho do criador do vídeo, de compreender porque “gente malvada faz coisa ruim”.
Postei o vídeo aqui no Bule, na esperança de atrair comentaristas mais informados no assunto, e presumindo a boa fé do criador do vídeo e de toda a campanha por trás dele. O primeiro leitor a manifestar no Twitter alguma preocupação com o Bule Voador dar voz à campanha foi o músico Tico Santa Cruz. Ele escreveu na página dele no Facebook uma série de perguntas mal respondidas no vídeo, ou não respondidas mesmo. Você pode ler as críticas dele aqui.
Então, para responder a algumas dessas objeções, me vi na obrigação de pesquisar mais a fundo. De fato, como informa o português Jornal de Notícias, a campanha exagera a importância da guerrilha de Kony, o “Exército de Resistência do Senhor”, que tem sido enfraquecida em tempos recentes sem precisar de vídeos cheios de clichê de edição e apelo emocional no YouTube.
A melhor peça sobre o assunto que achei até agora foi no Independent, e foi escrita por Musa Okwonga, ugandês da tribo Acholi, do norte do país, exatamente a região em que Kony cometeu seus crimes. Traduzo os últimos parágrafos do texto do Okwonga:
“Entendo a raiva e o ressentimento com a abordagem da Invisible Children, que com seu paternalismo tem ecos desagradáveis de colonialismo. Admito que me perturbei com sua prescrição e cima para baixo, quando tanto trabalho diligente já está sendo feito na Uganda Setentrional. Por outro lado, eu me alegro muito – fico mais aliviado que tudo – que a Invisible Children tenha atingido conscientização global sobre esse assunto. Assassinos e torturadores tendem a preferir o anonimato, e se não isso a respeitabilidade: desse modo, eles podem se safar sem limites. Por muitos anos, o assunto desse TT no Twitter era algo que eu apenas tinha ouvido falar na sala de estar dos meus avós, quando parentes e amigos da família se juntavam para horas infrutíferas e frustrantes de discussão. Mas assistindo ao vídeo, me preocupei com o simplismo da abordagem da Invisible Children.
O que importa é que Joseph Kony tem feito isso por muito, muito, muito tempo. Ele emergiu há cerca de um quarto de século, mais ou menos quando o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, veio ao poder. Como resultado, os destinos desses dois líderes devem, eu penso ser vistos em conjunto. Ainda, embora o presidente Museveni deva integrar qualquer solução a esse problema, e não ouvi uma só menção a ele no vídeo de 30 minutos. Pensei que essa foi a omissão crucial. A Invisible Children pediu a seus espectadores para procurar o engajamento de políticos e celebridades americanas, mas – e isso é um grande cartão vermelho – não lhes apresentou os muitos Ugandeses do norte que já fazem um trabalho fantástico tanto em suas comunidades quanto na diáspora. Não pediu a seus espectadores para procurar pressão diplomática sobre a administração do presidente Museveni.
Dez minutos depois do começo do vídeo, o narrador pergunta a seu pequeno filho quem é o “cara malvado” em Uganda; quando seu filho hesita, ele o informa que Joseph Kony é o cara mau. De certa forma, até pegou leve com Kony: ele é um monstro. Mas o que o narrador também deixou de fazer é mencionar para seu filho que quando um cara mau como Kony está liderando guerrilha por anos a fio, estuprando e surrando e sequestrando e executando, então há provavelmente outro tipo de caras maus por lá deixando-o fazer isso. Provavelmente deveria ter dito a seu filho isso também.
Eu não acho que a Invisible Children é ingênua. Eu não acho que o presidente Obama esteve cego sobre este assunto também: seu próprio pai, um queniano, vem dos Luo, o mesmo grupo tribal que sofreu tanto nas mãos de Kony. Meu palpite – e esperança – é que eles vêem essa campanha como um modo de encorajar questões mais amplas e mais profundas sobre a governância largamente inadequada dessa área da África.
Até onde o presidente Museveni vem ao caso, meus pensamentos são esses: se milhares de crianças britânicas fossem sequestradas de suas cidades a cada ano e recrutadas para um exército, pode apostar que David Cameron estaria enfrentando problemas muitos sérios na [Câmara] dos Comuns. Pode apostar que ele seria sabatinado sobre por que, anos depois do início do conflito, ainda haveria cerca de um milhão de seus cidadãos morrendo lentamente na miséria em campos decrépitos de refugiados. Pode apostar também que, depois de mais de 20 anos disso acontecendo debaixo do nariz dele, ele não estaria governando o país até hoje.”
A LiHS já participou de dois eventos sobre direitos humanos no mundo: o protesto de 100 cidades contra o apedrejamento, quando os filhos de Sakineh Mohammadi Ashtiani convocaram o mundo a salvar sua mãe das garras da teocracia islâmica de Ahmadinejad; e na maratona de cartas da Anistia Internacional. Depois de aprender mais sobre Joseph Kony e Uganda, ainda tenho vontade de participar. Não daria, é claro, nem um centavo à Invisible Children, por ser ingênua em sua abordagem. Mas estou feliz de ter divulgado o vídeo e agora saber quem Kony é.
Analogamente, não me arrependo de ter divulgado no Bule Voador aquele vídeo também cheio de clichês e bobagens de “abraçadores de árvore” sobre Belo Monte. Serviu para o Pirulla fazer a excelente e informativa resposta dele, que deixou claro que sim, aquela coisa de Belo Monte ser um problema é verdade.
Mas, vejam, eu não daria dinheiro à Invisible Children pelo motivo que já dei, e não por um dos motivos dados pelo Tico Santa Cruz:
“Duvidar de tudo que vem dos americanos é um dever de todos.”
Isso não é dever, isso é um antiamericanismo bobo e dogmático, com todo respeito ao Tico, que eu sinceramente admiro vendo que está disposto a usar da visibilidade que tem para crescer o senso crítico de quem o segue no Twitter.
Quando aconteceu o ataque do 11 de setembro, eu tinha 14 anos. A primeira coisa que eu fiz na frente da TV com meu pai foi comemorar. Meu pai ficou quieto. Eu cresci num ambiente de desconfiança automática e dogmática a tudo que venha dos Estados Unidos, e este é um momento da minha vida do qual eu me arrependo amargamente. Felizmente, a tolice de comemorar o ataque durou menos de 30 segundos. Bastou eu olhar para a cara do meu pai para ver que eu estava fazendo uma besteira muito grande. 30 segundos de besteira, uma memória para toda vida. E os 30 minutos do vídeo da Invisible Children?
P. S. O Tico Santa Cruz se sentiu mal interpretado e disse que não é anti-americano. Ele explicou que a intenção da frase era uma espécie de chamado ao ceticismo.  Neste caso me desculpo pela má interpretação da frase acima.


terça-feira, 13 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Radio com playlists baseadas no humor !!!!


O site Stereomood tem um conceito muito interessante e acho que nunca vi algum parecido.

Nele você clica em alguma emoção ou momento que está a fim de ouvir.

Por exemplo, é possível escolher playlists de alegria, calma, de quem acabou de acordar, de domingos de manhã e muitas outras opções. Recomendo muito esse site.

O tempo passa, mas as emoções que você vivenciou sempre permanecem. Em muitos momentos de sua vida as músicas parecem funcionar como a trilha sonora perfeita: se você está triste, há canções que parecem fazer questão de colocá-lo ainda mais pra baixo. Por outro lado, basta ouvir uma música alegre para que tudo se renove.

Embora você possa ter em sua casa uma seleção com músicas especiais, nem sempre você terá paciência para escolher, uma por uma, quais delas deseja ouvir. Então, que tal ter ao seu alcance um serviço de música online que tem como objetivo reproduzir apenas músicas que transmitam a exata noção do que você queira sentir?

Entre sorrisos e lágrimas

O serviço Stereomood é, sem dúvida, uma ótima ideia. Em princípio, trata-se de uma ferramenta de transmissão de música online como qualquer outra. A grande diferença fica por conta da maneira como as canções são organizadas.

Na página inicial estão agrupadas uma série de tags em formato de nuvem, todas elas listadas por ordem de popularidade. Ao ouvir uma música você pode criar uma nova tag para ela ou escolher uma das que estão disponíveis. E é exatamente nessas tags que está o segredo do funcionamento do site.

Em vez de escolher itens como “rock”, “pop” ou “country”, no Stereomood você marca as músicas por sentimentos. Assim, se você quer ouvir músicas alegres, escolha “happy”; para ouvir músicas tristes, escolha “sad”; músicas para relaxar, escolha “relax”; e assim por diante.

Confira algumas sugestões de playlists para você ouvir:

Relax (músicas relaxantes);
Happy (músicas alegres);
Lost in Thought (perdido em seus pensamentos);
Angry (nervoso);
Sad (triste);
Just woke up (acabou de acordar);
Need of Love (precisando de amor);
Candlelit Dinner (jantar à luz de velas);
It`s Rainning (chovendo).
São tantas emoções

As listas são ordenadas pela preferência dos usuários. Ao escolher “happy”, por exemplo, prepare-se para ter acesso a uma série de músicas não tão conhecidas, porém que representam exatamente o sentimento que você acabou de indicar. Lembre-se de que o foco aqui não são os artistas de sucesso, e sim o sentimento que as músicas transmitem.

O serviço conta com milhares de músicas, sendo a maioria absoluta delas internacional. Para quem deseja criar listas personalizadas, basta criar uma conta de usuário. Com seu login e senha, ao acessar o serviço é possível, além de carregar as listas comuns, ouvir algumas de suas playlists específicas.

Em cada página relacionada a uma tag você encontra opções para avaliar as canções. É possível adicioná-las ou bani-las definitivamente de sua playlist, compartilhar a música por email, adicionar tags ou comprar a faixa em questão em alguns serviços de e-commerce.

O Stereomood é completamente gratuito e, caso você não precise de algo tão personalizado, não é necessário nem mesmo fazer o cadastro. Porém, como ferramenta adicional, o site oportuniza ao usuário criar uma página pessoal, com links para os perfis das redes sociais em que você participa, bem como informações pessoais adicionais.
 Dica do Largado em Guarapari....
Link aqui

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sábado, 10 de março de 2012

TJ-RS e a defesa da laicidade do Estado

Autor: Alex Rodrigues
Resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios”
As sábias palavras acima foram proferidas pelo Desembargador Cláudio Baldino Maciel, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), relator da matéria que julgou nesta terça-feira, 06/03/2012, procedente o pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais sobre a retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha. Por incrível que pareça, a decisão foi unânime.
O Desembargador afirmou ainda que julgamentos feitos em um tribunal sob um expressivo símbolo de uma religião e sua doutrina não parece ser a melhor forma de se mostrar o Estado-juiz equidistante de valores em conflito.
Em um texto do Idelber Avelar publicado na Revista Fórum, são compartilhados outros trechos do voto tão sábios quanto aquele logo acima. Seguem abaixo:
Sobre o caráter laico do Estado:
Ora, o Estado não tem religião. É laico. Assim sendo, independentemente do credo ou da crença pessoal do administrador, o espaço das salas de sessões ou audiências, corredores e saguões de prédios do Poder Judiciário não podem ostentar quaisquer símbolos religiosos, já que qualquer um deles representa nada mais do que a crença de uma parcela da sociedade (…).
O cidadão judeu, o muçulmano, o ateu, ou seja, o não cristão, é tão brasileiro e detentor de direitos quanto os cristãos. Tem ele o mesmo direito constitucionalmente assegurado de não se sentir discriminado pela ostentação, em local estatal e por determinação do administrador público, de expressivo símbolo de uma outra religião, ainda que majoritária, que não é a sua.
Sobre a diferença entre a possível crença individual de algum desembargador e o espaço impessoal da sala de reuniões:
Nada impede que um magistrado, no interior de seu gabinete de trabalho, faça afixar na parede um símbolo religioso ou uma fotografia de Che Guevara.
No entanto, à luz da Constituição, na sala de sessões de um tribunal, na sala de audiências de um foro, nos corredores de um prédio do Judiciário mostra-se ainda mais indevida a presença de um crucifixo (ou uma estrela de Davi do judaísmo, ou a Lua Crescente e Estrela do Islamismo) do que uma grande bandeira de um clube de futebol.
Isto porque, ao passo em que a presença da bandeira de um clube de futebol na sala de sessões de um tribunal não fere o princípio da laicidade do Estado (ao contrário da presença da presença do crucifixo, que fere tal princípio), a presença de qualquer deles – bandeira de clube ou crucifixo – em espaços públicos do Judiciário fere o elementar princípio constitucional da impessoalidade no exercício da administração pública.
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Sobre a utilização do preâmbulo da CF para justificar a presença de símbolos religiosos em prédios públicos:
É verdade que, conquanto laico o Estado brasileiro, paradoxalmente o preâmbulo da Constituição Federal invoca a menção a Deus, o que tem sido um argumento utilizado para justificar certa presença religiosa em instituições públicas.
É atualmente pacífico na jurisprudência constitucional, contudo, o entendimento de que o preâmbulo da Constituição não possui força normativa. O Ministro Sepúlveda Pertence, no julgamento da ADI nº. 2076-5, referiu ironicamente em seu voto:
“Esta locução ‘sob a proteção de Deus’ não é norma jurídica, até porque não se teria a pretensão de criar obrigações para a divindade invocada. Ela é uma afirmação de fato jactansiosa e pretensiosa, talvez, de que a divindade estivesse preocupada com a Constituição do país”.
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Sobre o argumento de que a “tradição” brasileira é majoritariamente cristã e que isso justificaria a presença dos crucifixos nos Tribunais de Justiça:
[...] absolutamente não é papel do Judiciário legitimar acriticamente qualquer tradição social, especialmente se excludente ou inconstitucional. Já não se discute, na atualidade, o legítimo papel do Direito que se opõe à ideia de meramente afirmar práticas hegemônicas da maioria social, mesmo que contrárias ao texto constitucional. Ademais, o princípio democrático contramajoritário justificaria plenamente a defesa de eventuais minorias quanto ao abuso das práticas religiosas da maioria, especialmente as de raiz inconstitucional.
O nepotismo, por exemplo, foi uma prática tradicional no Brasil. Tradicionalmente houve uma certa promiscuidade entre o público e o privado. Não obstante, está sendo superado o nepotismo porque sobre tal “tradição” o Judiciário, devidamente provocado, teve uma abordagem crítica que considerou tal prática inconstitucional exatamente por violar, de igual modo, o princípio da impessoalidade na administração pública.
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Sobre o argumento de que o crucifixo não é um símbolo que exclua ninguém:
Há quem refira, como defesa possível de sua tese, o caráter não-religioso do crucifixo. Sem razão, contudo. É evidente que o símbolo do crucifixo remete imediatamente ao Cristianismo, consistindo em sua imagem mais evidente.
A Corte Constitucional alemã, refutando o argumento de que o crucifixo é mero enfeito que deveria ser tolerado em ambiente estatal por força da tradição, dispôs:
“A cruz representa, como desde sempre, um símbolo religioso específico do Cristianismo. Ela é exatamente seu símbolo por excelência. Para os fiéis cristãos, a cruz é, por isso, de modos diversos, objeto de reverência e de devoção. A decoração de uma construção ou de uma sala com uma cruz é entendida até hoje como alta confissão do proprietário para com a fé cristã. Para os não cristãos ou ateus, a cruz se torna, justamente em razão de seu significado, que o Cristianismo lhe deu e que teve durante a história, a expressão simbólica de determinadas convicções religiosas e o símbolo de sua propagação missionária. Seria uma profanação da cruz, contrária ao auto-entendimento do Cristianismo e das igrejas cristãs, se se quisesse nela enxergar, como as decisões impugnadas, somente uma expressão da tradição ocidental ou como símbolo de culto sem específica referência religiosa.”[7]
Vê-se, assim, que a questão ora analisada não é prosaica ou simples, já que não se trata de julgar forma de decoração ou preferência estética em ambientes de prédios do Poder Judiciário, senão de dispor sobre a importante forma de relação entre Estado e Religião num país constituído como república democrática e laica.

Direto do Bule Voador

Paradise Lost 3: Purgatory — a história de como nem tudo o que parece é.

Refiro-me a Paradise Lost 3: Purgatory, dos diretores Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.Uma história de como é falível nosso sistema judiciário.Um documentário americano sobre como três jovens foram acusados e condenados,onde se mistura: fanatismo religioso,policiais mal preparados ou tendenciosos,jurados ineptos,um juiz ranzinza,romance e um final surpreendente.Assistam, vale a pena !!! Cliquem aqui e se interem mais sobre o caso que gerou o documentário !!!

Texto de  Camilo Gomes Jr. direto do Bule Voador.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Tirinhas...


Me fuderam mas,formei !!!!

                              Site permite que jovens ofereçam sexo em troca de financiamento para a faculdade.
PS: Acho que só oficializaram o que existia no mercado informal.Vide classificados de acompanhantes.

Os piores humoristas do Mundo !!!

Você será pego traindo?